Os olhares no dia de hoje centram-se em Fátima por ser 13 de Maio (aniversário da Aparição de Nossa Senhora) e por o Papa estar em Fátima.
Esta manhã acordei com sono mas entre um pão com manteiga, leite com café e mel li o texto proferido pelo bispo do Porto D. Manuel Clemente aquando da entrega do Prémio Pessoa 2009 em que ele faz uma análise sobre o 'ser português'. Texto fantástico emaranhado de citações do Padre António Vieira, um exemplo paradigmático do 'ser português'. Vieira diz que "sem sair, ninguém pode ser grande" porque a inveja imperra os olhares e os corações embrutecem diante das qualidades dos outros (será necessário acrescentar mais alguma coisa?).
Depois presidi às ladaínhas (assim conhecidas) ou rogações invocando o olhar dos santos e dos anjos sobre as sementeiras e os campos (no fundo sobre as vidas já que as sementeiras são poucas ou quase nenhumas). Avisei, mais uma vez, a Visita Pastoral do Sr Bispo e lembrei que não pedia para estarem ou não presentes porque a fé não depende desta ou daquela pessoa, deste ou daquele penteado, deste ou daquele sorriso mas de Jesus Cristo.
Celebrei em louvor de Nossa Senhora de Fátima apresentando-A como Mãe da humanidade, Mãe dos crentes e esperança para todos porque nos encaminha para Jesus Cristo.
Almocei com jornalistas do Diário do Minho que vieram fazer uma reportagem sobre o Santuário de Nossa Senhora da Peneda.
Visitei as obras da Capela da Sra do Numão, um dos locais mais bonitos de Castro Laboreiro, que brevemente terá uma Capela digna desse nome!
Um cura da aldeia num 13 de Maio! Louvado seja Deus!
Este blog narra as experiências, os desabafos, os gostos, as tristezas e as esperanças de um jovem padre (católico) ao serviço de Deus e do Seu povo.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Papa em Portugal
O Papa Bento XVI está em Portugal como peregrino e não deixa de ser uma interpelação permanente para crentes e não crentes. Não deixemos que os clichés, as falsas imagens, os pecados, nos afastem de tudo. A busca da Verdade exige informação e formação!
"Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza."
"Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, «tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. […] E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita» (Discurso, no meu encontro com os Artistas, 21/XI/2009)."
Sem cultura que seremos? A Igreja (Povo de Deus)foi quase sempre pioneira de cultura e quando deixa de o fazer deixa de ser quem é!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Caminho se Santiago
Nos próximos dias vou fazer, mais uma vez, o Caminho Português de Santiago. Espero mais uma experiência enriquecedora de despojamento e de caminhada em grupo. Esta peregrinação oraganizada pela ASSOCIAÇÂO DOS AMIGOS DO CAMINHO DE SANTIAGO DE VIANA DO CASTELO (www.caminhosantiagoviana.pt) mereceu a confiaça de 10 peregrinos de diferentes locais do país. Partiremos no próximo Sábado da Catedral de Viana do Castelo e chegaremos à Catedral do Santiago no Sábado seguinte. A caminho!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
XIV - O que é um Sacramento?
Nos últimos encontros temos vindo a reflectir sobre a inserção do cristão ou do crente numa comunidade concreta que celebra o Domingo, no fundo, que celebra e orienta a fé. Fé que temos e vivemos no Deus de Jesus Cristo, no Deus que é e que nos revela (mostra e apresenta) Jesus. No entanto, nós temos tendência para nos questionarmos e para questionarmos a nossa fé, se a vivemos de forma consciente, inquietante e transformadora. “Onde está Deus? Onde O encontraremos, para que o Seu amor, que nos parece tantas vezes silencioso e escondido, nos fale, e o rosto da Sua fidelidade se revele ao nosso coração inquieto? […] A estas perguntas, a fé da Igreja responde indicando-nos alguns eventos, nos quais a graça do Eterno nos é oferecida em gestos e palavras da nossa história: os sacramentos, lugares do encontro com Deus. Por isso é que conhecer e viver os sacramentos é tão importante para fazer a experiência do amor, revelado e dado em Jesus Cristo” [Bruno Forte, Introdução aos Sacramentos, p.15].
Sacramento
O Sacramento está para além do que se vê (o que na nossa mentalidade técnico-científica é difícil de compreender). Por exemplo: um sacramento pode comparar-se, com as devidas diferenças, a um lençol freático que não se vê mas que alimenta as fontes e os rios. “Viver é ler e interpretar” [Arlindo Magalhães]. Na vida tudo tem leituras e significações e nós somos capazes de ler sinais do eterno no tempo. Destas leituras e significações entramos na linguagem sacramental.
Sinal
Toda a sociedade vive e produz símbolos através dos quais expressa a sua interioridade e decifra o sentido simbólico do mundo. O nosso tempo vive mais virado para o material do que para o símbolo mas ao mesmo tempo usa imensos símbolos. Precisamente o sacramento faz presente a realidade sagrada através de sinais. O sinal é uma realidade física ou material que aponta para uma realidade que está fora e além de si. ‘Onde há fumo há fogo’. O sinal do fogo é o fumo. E assim por aí adiante. Num sinal exitem duas realidades: o signo ou significante (sinal material) e o significado (o que representa). Para que isto funcione é preciso conhecer os sinais. Os sacramentos levam-nos a pensar realidades sagradas, através de sinais: água, pão e vinho, óleo, imposição das mãos …
Símbolo
Um símbolo é, no fundo, um sinal mas um sinal especial. O símbolo, um sinal conhecido, leva ao conhecimento de uma realidade desconhecida, mas uma realidade de outra ordem ou de outro nível. O símbolo exige a imaginação humana. O ser humano reage aos símbolos e cria símbolos. Exemplos: na cruz os cristãos vêem a morte e ressurreição de Jesus; foice e martelo indicam a ideologia comunista. O símbolo remete para o mistério.
Mistério
O símbolo remete para uma realidade que não se conhece. A uma realidade que não se conhece designamos por mistério. O mistério é algo que está velado, fechado mas que está lá; não se chega a ele pelo racional mas está presente e é verdadeiro. O mistério é da ordem do indizível. Chegamos ao mistério (Deus) através das Suas pegadas na criação. “O ‘mistério’ é uma espécie de pacto pelo qual Deus Se dirige ao homem no amor, entra na sua história e chama-o a edificar consigo o Seu projecto de salvação” (Bruno Forte).
Revelação/Mediação
Nomeadamente no plano religioso existem realidades que são mistério (estão com que escondidas por um véu). Assim, é necessário retirar esse ‘véu’ para ver o que ele esconde. Deus não é um Outro mas o totalmente Outro que dificilmente imaginamos e ainda menos conhecemos. No caso de Deus é Ele próprio que se revela, que tira o ‘véu’. A isto chamamos revelação de Deus. Deus mostra-se através ou por meio de (mediadores). Deus raramente se revela de modo directo mas através de uma pessoa ou de um acontecimento. A fé é uma resposta ao chamamento de Deus; chamamento que se ouve quando se procura.
O que é um sacramento?
No mundo existem realidades que estão entre o mundo humano e o mundo divino, realidades que deixam ver através ou para além delas. Assim a experiencia de Deus dá-se através de sinais ou de sacramentos. A experiência de Deus é sempre na experiência sacramental. O sacramento á parte deste mundo (imanente) que traz em si um outro mundo (transcendente). O Sacramento não tira a pessoa deste mundo mas indica-lhe outro mundo, atira-o para Deus.
“A Palavra eterna entra nas palavras do tempo e o eterno acontecimento do amor adapta-se aos humildes acontecimentos do amor humano; nesse sentido, os sacramentos constituem a demonstração permanente da ternura e da compaixão do nosso Deus, e celebram a Sua misericórdia e o Seu perdão, a Sua condescendência para com a nossa pequenez e o desejo de nos tornarmos pratícipes da Sua vida divina” [Bruno Forte].
Palavra de Deus (Cf. Lc 24, 13-35)
Questões:
O que significam os Sacramentos na vida do cristão? Quais já recebeste/celebraste?
Próximo encontro no dia 15 de Maio às 21h;
[Texto realizado para Formação para a Celebração do Sacramento da Confirmação - Melgaço 2010]
sábado, 10 de abril de 2010
A Páscoa e o Amor!
Estamos quase a terminar o dia de Páscoa que se prolonga por oito dias (um dia que se celebra em oito dada a grandiosidade desse dia). Na Cruz de Cristo os cristãos vêem e sentem o amor de Deus (de Jesus para com o Pai e do Pai para com cada um de nós).
No amor Cristo reina em cada um de nós porque 'Deus é amor' e nós fomos criados para o amor!
"Se há em mim uma certeza inquebrantável, é precisamente a de que o mundo abandonado pelo amor é um mundo que está mergulhado na morte; mas que lá onde o amor perdura, onde o amor triunfa sobre tudo aquilo que pretende aviltrá-lo, a morte é definitivamente vencida" (Gabriel Marcel).
Aprendamos a amar, a sair de nós e a partir ao encontro do outro ultrapassando a solidão e as incertezas da nossa identidade! Este é o nosso caminho humano ao encontro do divino!
Uma Santa Páscoa
sábado, 27 de março de 2010
O 'Servo'
«O Senhor DEUS ensinou-me o que devo dizer,
para saber dar palavras de alento aos desanimados.
Cada manhã desperta os meus ouvidos,
para que eu aprenda como os discípulos.
O Senhor DEUS abriu-me os ouvidos,
e eu não resisti, nem recusei.
Aos que me batiam apresentei as espáduas,
e a face aos que me arrancavam a barba;
não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam.
Mas o Senhor DEUS veio em meu auxílio;
por isso não sentia os ultrajes.
Endureci o meu rosto como uma pedra,
pois sabia que não ficaria envergonhado" [Is 50, 4-7].
Este pequeno trecho do profeta Isaías é uma preciosidade! Um servo/discípulo tem como missão levar a esperança aos que estão abatidos; levar a luz ao que anda cambaleando nas trevas. A primeira possibilidade que lhe surgiu foi a de desistir mas foi capaz de resistir. A consequência de ter resistido foi o insulto moral e corporal. Quem resiste, quem se mantém fiel, quem confia sabe que Deus está do seu lado, a seu lado. Jesus encarna e concretiza esta profecia de Isaías; não fiquemos apenas a contemplar mas escutemos a Palavra de Deus e façamos dela uma tradução viva, a nossa existência. UMA SANTA SEMANA SANTA!
sexta-feira, 26 de março de 2010
XIII - O Domingo, Dia do Senhor, e a Eucaristia
O Domingo não é continuação do Sábado judaico ou um dia de descanso mas a sua origem está na Ressurreição de Jesus; na Eucaristia dominical nós celebramos ou fazemos memória e tornamos presente a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
DOMINGO
Este dia tem cunho cristão, está marcado pela Ressurreição como podemos verificar nos Evangelhos (nomeadamente). O Domingo, do latim Dominica e no equivalente grego kyriaké, encerra em si o resultado da Ressurreição, pois por ela Jesus foi constituído Kyrios, Dominus, Senhor. Por esta razão desde as origens da Igreja o primeiro dia da semana foi distinguido dos outros, porque dia do memorial da Ressurreição, recebeu o nome de Dia do Senhor.
As aparições de Jesus ressuscitado aos Apóstolos dão-se no Domingo quando Eles estão reunidos para recordar o dia da Ressurreição.
Assim, o Domingo deve ser o dia por excelência da assembleia litúrgica que reforça a unidade da Igreja com Cristo ressuscitado.
No Domingo devem os fiéis reunir-se para participarem na Eucaristia, ouvirem a Palavra de Deus recordarem a Paixão e Ressurreição de Jesus.
O Domingo é o dia de festa, da alegria e do repouso. É evidente que existem muitos condicionalismos que podem por em risco o Domingo. As solicitações de índole desportiva, cultural, política ou social muitas vezes assumem o lugar primordial e o Domingo passou a significar o dia livre para essas actividades e não para celebrar o Dia do Senhor. Por outro lado a ideia do preceito dominical de ouvir missa é pobre e muito pouco esclarecido. No entanto sabemos que a celebração do Domingo como dia do Senhor e da Eucaristia vem desde os Apóstolos e das primeiras comunidades ao qual eles não falhavam porque reconheciam que como cristãos não podiam viver sem ele.
O repouso dominical não é essencial à celebração do Domingo. Em muitos países em que se trabalha ao Domingo os cristãos antes de ir trabalhar celebram o Domingo como dia do Senhor, recordam e tornam presente a Ressurreição de Jesus.
Muito do sentido do Domingo perdeu-se; será o Domingo que tem que se adaptar aos cristãos ou ao contrário como aconteceu no início? Certamente que passará por uma redescoberta do sentido do Domingo e por uma redescoberta do que se celebra no Domingo.
“Domingo após Domingo, ela (a Eucaristia) é uma grande escola de vida, um encontro contagioso de amor. É nela que experimentamos a verdade da Boa Nova que aquece o coração: ‘Deus não nos ama porque somos bons e belos, mas torna-nos bons e belos porque nos ama’ (S. Bernardo) ” [Bruno Forte].
É na celebração dominical que nos descobrimos como povo de Deus, como assembleia crente, como comunidade celebrante.
EUCARISTIA (acção de graças)
A Eucaristia é dom de Deus, esse dom é Jesus Cristo que se oferece novamente como pastor bom e belo. A Eucaristia é, assim, encontro com Jesus Cristo que nos torna ou transforma em bons e belos.
Na Eucaristia não recordamos apenas a Ressurreição de Jesus mas tornamo-la presente porque a Eucaristia recorda, actualiza e torna presente o mistério de Deus no meio da humanidade. Assim participar na mesa da Palavra e na mesa do Pão, celebrando a Eucaristia percebemos que fazemos parte do Corpo de Cristo e encontramos a necessidade de a celebrar a cada Domingo. Não se trata de uma necessidade imposta mas de uma necessidade originária e interior.
Na Última Ceia Jesus deixa-nos um mandato: ‘Fazei isto em memória de Mim’. Os discípulos de Emaús reconhecem Jesus ao partir do pão. Na Eucaristia unem-se todos os dons e carismas da comunidade cristã. Cristo a todos une e unifica e a Eucaristia é fonte de toda a vida da Igreja e de toda a vida dos cristãos.
A Eucaristia é escola de acção de graças, escola de esperança, escola de amor, escola de Cristo porque é Ele que se dá, é Ele que preside e é Ele que envia em missão os cristãos.
PALAVRA DE DEUS
“Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.» Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» ” [Lc 22, 14-20].
“Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum” [Act 2, 42-44]
QUESTÕES:
Que sentido tem para ti o Domingo? Celebras com alegria a Eucaristia? Poderá um cristão viver sem se encontrar com Cristo na celebração da Eucaristia (lembra-te dos teus amigos)?
Próximo encontro no dia 17 de Abril às 21h;
[Texto realizado para encontro de Formação para a Celebração da Confirmação - Melgaço 2010]
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