sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Curso Geral de Catequese em Melgaço

Hoje começa, em Melgaço, o Curso Geral de Catequese. Os catequistas são convidados a aprofundar e a sistematizar a doutrina cristã, a pedagogia e a psicologia na Catequese. Estas dimensões de formação enriquecerão os catequistas e a catequese que fazem. Esta é uma oportunidade única!
Com este tempo de formação queremos formar catequistas conscientes da sua Missão e conhecedores das metodologias e dos elementos fundamentais da fé. Só com Catequistas bem formadas poderemos ter uma Catequese activa e motivadora e, ao mesmo tempo, esperar uma nova geração de cristãos mais conscientes e mais preparados para viver a fé no dia-a-dia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

'De produndis' de António Lobo Antunes

Lobo Antunes escreveu para a Revista Visão, esta semana, uma crónica que intitula 'De profundis'. Esta crónica, como muitas outras que li de Lobo Antunes, fez-me pensar! O autor faz uma abordagem à sua relação com Deus; curiosamente, a distância com que escreve mostra a proximidade com Deus. Lobo Antunes mostra uma relação de proximidade numa luta diária com Deus (Miguel Torga, outro grande homem da nossa literatura, pisou, talvez de forma mais dolorosa, os mesmos caminhos que Lobo Antunes na proximidade e no afastamento de Deus).
E cito: "A minha relação com Deus tem sido sempre tumultuosa, cheia de desacordos e discussões: longos períodos em que me afasto, alturas em que me aproximo, amuos, quase insultos, discussões. Creio firmemente que, nos livros que escrevo, é Ele que guia a minha mão e não passo de um instrumento da Sua vontade".
Outras partes da crónica poderia citar ou então transcrevê-la toda mas fico-me por este parágrafo que me parece fantástico.
Lobo Antunes, para mim, é um grande homem das letras e dos livros mas os seus livros não os consigo ler; são duros, demasiado introspectivos, sei lá, quase esquizofrénicos e por isso não leio; por outro lado, estas crónicas são fantásticas quando ele fala dele próprio e das suas vivências e ouvi-lo é muito bom - mostra humildade e erudição (saber) coisa que muito aprecio.
Peguei neste texto porque ilustra bem como tem que ser uma relação sincera com Deus e com a própria pessoa - uma luta diária e não um adormecimento diário; Deus, a religião e a fé não anestesiam a pessoa antes a potenciam e a elevam na sua dignidade e compreensão do mundo e de si mesma. O pecado não está na dúvida, na luta, na angústia mas no adormecimento, no esquecimento e no relativismo face a Deus e à humanidade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

I - O que é ser cristão?

Neste tempo em que vivemos importa colocar a questão: ‘o que é ser cristão?’ Fazer e responder a esta pergunta não é um mero ‘perder de tempo’ porque se trata da pergunta e da resposta fundamental acerca da identidade cristã. Nos dois mil anos de história cristã passaram-se muitas coisas – boas e más. Importa, depois de tantos acontecimentos, reconhecer o que é realmente cristão católico e pôr de parte tudo o que de forma clara ou camuflada se fez passar por cristão. Do conhecimento da identidade cristã é que podemos formar uma Igreja (Povo de Deus) de fiéis conscientes e comprometidos. Se não tomarmos consciência da nossa identidade tudo e nada vale (impõe-se o relativismo moral sobre o qual o Papa Bento XVI tanto tem falado); não conseguimos dar valor ao que é realmente importante e ficámo-nos pelo que é acessório e secundário. Não se trata de uma procura da identidade para nos fecharmos nela mas para podermos dialogar e colaborar com todos com sentido crítico e construtivo. A busca e o encontro da identidade está nas fontes do cristianismo: Jesus Cristo; Palavra de Deus; Igreja; Sacramentos. Jesus é primeira referência à volta da qual tudo gira e para a qual tudo se encaminha. Tendo em conta estes elementos encontramos a nossa identidade como cristãos. É no acolhimento destas realidades e no confronto com a vida e com as pessoas que connosco convivem no dia-a-dia que nós crescemos como cristãos. Durante esta caminhada até ao Verão vamos procurar, em breves pinceladas, responder a esta questão da identidade cristã. Pois, como veremos, o Sacramento da Confirmação é o Sacramento da maturidade e da responsabilidade cristã a nível cristão, humano e social. Para melhor aprofundar e responder a esta e a outras questões, responde em consciência e de forma concisa às questões que te colocamos: Qual a razão de querer celebrar o Sacramento da Confirmação? Estou consciente de que o cristão tem que ter identidade enquanto tal? Dá dois exemplos em que se manifeste a identidade cristã face ao pensamento e ao agir da sociedade em que vivemos. Próximo encontro no dia 17 de Outubro às 21h;
[Texto elaborado para o 1º encontro de formação com os crismandos do Arciprestado de Melgaço]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares

No teu deserto é a última obra publicada por Miguel Sousa Tavares. O filho de Sophia de Mello Breyner Andresen conduz-nos, numa narrativa simples e táctil, até ao deserto; o deserto como espaço físico e psicológico. Este livro enquadra-se no estilo de literatura light, muito em voga, mas, ao mesmo tempo, para um leitor atento, pode abrir perspectivas de reflexão muito interessantes. O quase romance de Miguel Sousa Tavares é a narrativa de uma viajem às entranhas do deserto do Sahara. O autor pega numa fotografia, há muito tirada, para fazer uma ponte entre a memória do presente e a realidade do passado. A fotografia catapulta o leitor para a viagem ao deserto que começou em Lisboa com a arrumação no jipe (UMM) de tudo o que era necessário para a aventura. Cláudia, a companheira de viagem do autor pelo deserto, tinha um sorriso onde “cabia toda a ilusão do mundo”. A ilusão de entrar no deserto torna-se uma aventura fantástica e surreal. O autor aproveita para dar umas pinceladas, aqui e acolá, sobre a vida, a cozinha, os cheiros, a política, sobre qualquer coisa, até chegar ou para chegar ao deserto; exagera na descrição da entrada no ferryboat e na obtenção de autorização para filmagem no Ministério da Informação em Argel. Em pleno deserto surgem os grandes ‘arrebatamentos’ de sentido: “A terra pertence ao dono, mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar” (filosofia improvisada a metro!). E assim embevecidos adentram-se do deserto e de si mesmos. Miguel Sousa Tavares viaja pelo deserto como repórter onde fotografa, filma e escreve procurando apreender o máximo de informação. Cláudia sem nenhuma função (“a minha tarefa era deixar-me conduzir por ti, entre a lucidez e o sonho”), a não ser ir ao deserto, ajuda-o no trabalho e na percepção das realidades mais simples como o contemplar das estrelas, qual manto de luz que a todos cobre! Lado a lado no UMM descobre que “a coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio”. E no silêncio surgem as palavras. “Escrever é usar as palavras que se guardam: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer”. No silêncio encontramo-nos e conhecemo-nos tal como somos. Hoje temos medo do silêncio e então usamos todas as formas para preencher a nossa vida de ruídos: telefonemas; SMS; mails; Hi5; facebook, e demais redes sociais. No virtual pensamos que temos o mundo a nossos pés e, no entanto, não aguentamos um dia de solidão. O deserto e o silêncio incomodam porque exigem mudanças. Muitas vezes temos que fazer deserto para no silêncio descobrimos quem somos. O silêncio fala a quem o sabe escutar! (in Zebrisco do Alto Mouro, p.5 *Ano III*Nº 8* Agosto de 2009)

Dois mundos!

O mundo movimenta-se e move-se de pequenos mundos (ou mundividências) interlassados uns nos outros. A disparidade de vivências aumenta o 'mundus' próprio de cada um.
Passei por Ourense e visitei o seu casco histórico (a zona mais antiga da cidade) nomeadamente a magnifica Catedral construída entre os finais do século XII e o início do século XIII sendo por isso um románico de transição.
Enquanto caminhava observei o bulício da cidade: pessoas a trabalhar, a passear, a beber um copo ... muitos reformados a conversar em alegre bonomia. O nível de vida, quer queiramos ou não, é superior ao nosso! Não necessariamente económico mas de mentalidade, de jovialidade ... de viver sem carregar um peso enfadonho que a todos agrilhoa.
Neste deambular, numa pequena praça, vi uma igreja aberta e entrei ... o Santissimo estava exposto - tinha entrado na capela de um convento de irmãs contemplativas. Fiquei um pouco em oração e saí a pensar nos dois mundos presentes naquele espaço. O barulho, a confusão da cidade e o silêncio orante do convento. Mais ... paredes meias ao convento funcionava um café/restaurante onde acabei por almoçar. Mundos diversos e distintos mas não necessariamente opostos. A sabedoria de integrar estas duas dimensões da vida não é fácil mas é absolutamente necessária!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

XXVI Assembleia Diocesana de Catequistas

No próximo dia 4 de Outubro realiza-se a XXVI Assembleia Diocesana de Catequistas na 'Casa das Artes' nos Arcos de Valdevez.
Os Catequistas são convidados a uma participação activa na sua formação permanente para responder de forma responsável e actualizada à exigente Catequese que a nossa sociedade nos pede. A assembleia tem como tema 'A Palavra de Deus na Catequese' e pretende responder e colocar interplações à centralidade da Palavra de Deus na Catequese.
O encontro será orientado pelos Salesianos e os Catequistas poderão participar em dois atelieres dos seguintes: 'música e Palavra de Deus na Catequese'; 'Lectio divina e Catequese'; 'Rezar com a Palavra de Deus' e 'usar filmes bíblicos na Catequese'.
O encontro conta ainda com um concerto "As parábolas de Jesus" e terminará com a Eucaristia na igreja Matriz.
Certamente que serão momentos únicos de crescimento na fé,na pedagogia catequética e no convívio entre Catequistas!
09h00 Acolhimento
09h30 Oração da manhã
9h45 Conferência "A Palavra de Deus na Catequese - Desafios e propostas"
10h15 1º atelier
11h15 Intervalo
11h45 2º atelier
12h45 Almoço
14h45 Concerto "As Parábolas de Jesus"
15h30 Preparação para a Eucaristia (ensaio de cânticos)
16h00 Eucaristia

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ao ritmo dos dias!

Dois meses depois volto a escrever neste blog. Os dias começam a ter contornos de normalidade e a proporcionar que se escreva. Nos últimos tempos entre festas e festas (ainda não terminaram!) pouco mais se conseguia fazer.
O Verão com a chegada dos emigrantes fica mais colorido, mais intenso, mais (sei lá o quê) ... um misto de muita gente e de alegria mas, ao mesmo tempo, de confusão e de desabituação!
Nestes tempos vi de tudo (com excepção de ninguém ter subido [para cima d]o altar na minha presença) nas celebrações: entre chorar e rir em plena proclamação das leituras; entre entrar mudo e sair calado da igreja ou então falar, falar, menos no momento de resposta às invocações feitas pelo presidente durante a celebração ... umas vezes tive vontade de rir, outras de chorar, outras de berrar e sem ser obra minha (é do Espírito Santo) consegui passar por todas elas sem piorar as situações; louvado seja Deus! (Não se veja aqui uma critica directa a quem quer que seja; é apenas um desabafo, um lamento ...nem sei bem o que é?)
Como todos temos tanto que caminhar! Como estamos tão longe de perceber um bocadinho (um bocadinho que seja) da fé que dizemos praticar (tão sem sentido)!