terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VI - Bíblia - Palavra de Deus

Bíblia A palavra ‘Bíblia’ vem do grego o significa ‘livros’. A origem vem da palavra Byblos (cidade fenícia que comercializava o papiro no qual se escrevia além do pergaminho e da cerâmica). Como o nome indica a Bíblia é composta por 73 livros; 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Podemos dizer que a Bíblia é uma pequena biblioteca onde está narrada a história do povo de Israel, a história da pessoa de Jesus, as suas pregações e a história das comunidades cristãs primitivas. Quando usamos a palavra ‘história’ não significa que se trata de um tratado de historiografia de sabor científico como entendemos na cultura actual. A Bíblia apresenta a ‘história’ de personagens crentes (o que se passa com os homens e com as mulheres numa perspectiva de cultura religiosa). A Bíblia não apresenta uma história neutra – a visão é sempre crente. “Na Bíblia encontramos todos os géneros literários: mito, saga, poesia, romance, carta, ensaio, evangelho (género único em toda a literatura), apocalipse, história” (Joaquim Carreira das Neves). A bíblia apresenta uma interpretação teológica da história. O leitor da Bíblia tem que ter necessariamente isto em conta e não pode partir para uma leitura literal e unilateral. Os livros da Bíblia não foram escritos por uma pessoa nem de uma só vez, assim como não foram escritos pela ordem que aparece na Bíblia. A cultura hebraica é profundamente oral. A oralidade ocupa o centro da palavra. Muito raramente e só numa época muito tardia se começa a escrever. Assim, as ideias são transmitidas de geração em geração oralmente (cada época acrescenta a sua perspectiva e a sua releitura). A cultura hebraica é oral mas começaram a escrever aquilo que consideravam mais significativo para o povo. Escrevia-se o mais importante e de forma sintetizada. A ordem dos livros não é histórica mas lógica. Antigo Testamento Os 46 livros do AT narram os acontecimentos desde a criação do mundo até aos finais do século I a.C. No AT, através dos patriarcas, reis, profetas, sacerdotes, luta-se por uma nova maneira de ler a história à luz de uma nova fé num Deus único em oposição ao politeísmo circundante (Assíria, Babilónia, Egipto, Pérsia, Grécia, Roma). Esta nova visão da história traz consequências na concepção do ser humano e do mundo. O AT está dividido em 4 secções: Pentateuco, Históricos, Sapienciais e Proféticos (ver introduções da Bíblia Sagrada – Difusora Bíblica). Alguns exemplos de origem dos textos e posterior redacção escrita: Pentateuco atribuído a Moisés só foi redigido pelo século V a.C.; os livros históricos que narram acontecimentos desde o século XIII a.C. só foram redigidos entre o século V e I a.C. Novo Testamento Os 27 livros do NT narram a história de Jesus, os acontecimentos por ele operados, os seus ensinamentos e o inicio das primeiras comunidades cristãs (escritos entre o século I e o II d.C.). O NT centra-se na pessoa de Jesus de Nazaré e, sobretudo, no mistério pascal da Sua Morte e Ressurreição acreditado por Judeus e não judeus como o Messias esperado (Filho de Deus). Foi esta nova visão ou concepção do mundo e do ser humano trazida por Jesus que determinou a cultura do Ocidente e onde esta chegou levada pelos europeus. O NT está dividido em 5 secções: Evangelhos e Actos; Cartas de Paulo; Carta aos Hebreus; Cartas Católicas e Apocalipse. Como no AT também no Novo a ordem não é cronológica mas lógica. As cartas de Paulo aos habitantes de Tessalónica (actual Turquia) foram escritas entre o ano 49 e 51 d.C. e são dos primeiros escritos do NT enquanto o Evangelho de Marcos foi escrito pelo ano 70 d.C. Dei Verbum A Constituição Dogmática Dei Verbum é o documento do Concílio Vaticano II (1962/65) acerca da Palavra de Deus na vida da Igreja. Este documento apresenta a forma como se deve interpretar e o lugar primordial que ocupa a Palavra de Deus – Revelação de Deus (Deus que se vai mostrando progressivamente à humanidade). Deus inspirou (não ditou) o ser humano para escrever a Sua Palavra – Palavra que salva. Deus fala e está na Sua Palavra. O Deus criador No livro do Génesis ou das origens aborda a temática da origem humana à luz da fé. O Génesis apresenta dois mitos da criação do ser humano (capitulo 1 e 2). A ciência através de Darwin fala de evolucionismo e a Bíblia de criação em sete dias. Quem fala verdade? A verdade está do lado da ciência e do lado da Bíblia, tudo depende da forma como lemos o texto. Um texto bíblico não pode ser lido de forma literal e historicista mas no seu contexto e como mensagem de fé. O Livro do Génesis é o livro da Bíblia onde o povo de Israel coloca as questões fundamentais da existência e às quais dá uma resposta crente, muitas vezes com uma perspectiva antropomórfica (atribuição de características humanas a Deus) de Deus. Como vimos o Génesis apresenta dois mitos da criação, duas correntes de resposta ao problema da origem dentro do povo de Israel. “A criação consiste no acto performativo ou criativo da Palavra que transforma o caos em cosmos. Não se trata de criação em sentido científico ou evolucionista, mas de história de salvação” (Joaquim Carreira das Neves). A semana da criação termina com o descanso sabático. A perspectiva de Deus criador só surge muito mais tarde no contexto hebraico – Deus era libertador (do Egipto); um Deus que acompanhava o povo (aliança) logo também tem que ser criador porque o Deus de Israel domina a história. Questão: Tendo em conta o exposto a Bíblia opõe-se à ciência? Posso fazer uma leitura literal da Bíblia? Explica como posso acreditar no que a Bíblia diz e estudar ciência (mínimo 15 linhas). Próximo encontro no dia 9 de Janeiro às 21h;
[Texto realizado para encontro de Formação para a celebração do sacramento da Confirmação – Melgaço]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Onde estão os milhões?

Quem passa várias vezes por semana na estrada de Lamas de Mouro para o São Bento do Cando ou para a Branda da Aveleira apetece-lhe perguntar: 'onde estão os milhões?'
A estrada ficou em estado lastimável pelo passar contínuo dos camiões para instalar o parque de energia eólica. Esses parques rendem ou renderam milhões mas a estrada está cheia de buracos (como mostram as fotografias) e ninguém faz nada. Num ano apenas se tem degradado sem que ninguém faça nada, a não ser tentar sair de um buraco para cair noutro.
Assim anda este nosso país que aposta nas novas tecnologias e nas energias alternativas. Apetece dizer: fora isso tudo bem! Ou tudo mal!

SMS ... Natal ... SMS

Vivemos no tempo da comunicação global: as redes sociais (hi5; facebook; orkut; etc.), as SMS, o twitter ou o blog, entre outros. No Natal trocamos comunicação com muitas pessoas, mais ou menos conhecidas. Por entre teclas desejamos um bom Natal ou um bom Ano Novo. Mas será que comunicamos de facto? Será que desejamos com sinceridade um Bom (Santo) Natal? Ou pelo contrário só dizemos ou só enviamos SMS para não estar quieto ou porque todos fazem o mesmo? Temo que no meio de tanta comunicação olhemos apenas para o nosso umbigo e esqueçamos tudo o resto. Tanto desejamos um ‘Bom Natal’ como dizemos ‘hoje está sol’. Nada nos alegra, nos convoca ou implica. No tédio em que vivemos dizemos coisas sem sentir e sem pensar. Enviamos uma SMS ou descarregamos duas palavras no twitter que logo são lidas e apagadas – numa fracção de segundos são e deixam de ser. Por isso nada nos implica. Tudo é virtual e, por isso, indiferente. Os postais e as cartas (nada de saudosismo!) podiam ler-se e reler-se – eram um pouco da pessoa que estava ali. Tudo parecia e era realmente mais real. Mas este é o nosso tempo! Temos que usar a SMS e o twitter mas também temos que chegar perto daqueles que nos são próximos. Não podemos enviar uma SMS para o outro lado do Atlântico e esquecer de viver e celebrar o Natal com aqueles que connosco vivem todos os dias. O espírito do Natal é o da alegria, da companhia, da paz, da generosidade, da caridade. Que cada um de nós (a começar por mim) seja capaz de viver e de proporcionar um Santo Natal!

domingo, 29 de novembro de 2009

Um Domingo com neve

Hoje nevou pela primeira vez este Inverno. Acordei com um manto branco a entrar-me pela janela. A sua luminosidade tudo envolvia.
Levantei-me e celebrei Eucaristia na igreja de Castro Laboreiro; telefonei para a Gavieira e para o Santuário da Peneda a comunicar que não ia celebrar.
Lareira acesa e cozinhei um excelente frango (ainda não sei como saiu tão bom (!) ou será da neve e do frio?).
Durante a tarde estive a trabalhar com a serenidade dos flocos de neve a cair e com o crepitar do lume na lareira. Há dias assim!

sábado, 28 de novembro de 2009

V - Um novo caminho para a sociedade

No último encontro dirigimos o nosso olhar sobre a sociedade em que vivemos tendo em conta três características (entre muitas possíveis): ‘aldeia global’; ‘a sociedade de consumo’; ‘política (bem público) e o futebol’. Hoje vamos perspectivar possibilidades de uma regenerada (novamente gerada) sociedade. Comunidade Global Passar da ‘aldeia global’ no que tem de indiferentismo e todas as outras possibilidades negativas (porque também tem positivas) para uma comunidade global. A comunhão como matriz identificadora da sociedade. Uma comunidade que é alimentada de pequenas comunidades que interagem entre si e constroem a grande comunidade global. A comunidade pressupõe a comunhão de princípios e objectivos que não são o somatório dos objectivos de cada um mas que são aqueles que a comunidade no seu todo identifica como tais. A comunidade global pressupõe a igualdade que leva à comunhão, nesta lógica ninguém domina porque apenas interessa o bem comum. A divisão tem que dar lugar à união no sentido da comunhão que acolhe a diferença e a diversidade. Sociedade da caridade (solidariedade) A comunhão conduz à caridade (conceito cristão – caritas/amor – Deus é amor - irmandade) ou a solidariedade (conceito laico – perspectiva da obrigação/humanismo) e não permite o consumo desenfreado de alguns e a morte à fome de muitos. Agir com caridade é reconhecer as minhas necessidades e as do próximo – partilha de necessidades e partilha de bens. Isto contribui para o equilíbrio da sociedade. Porquê? Porque diminui o fosso entre ricos e pobres e promove o crescimento contínuo da sociedade. Não quer dizer que acabam os ricos e os pobres (essa foi a tentação ou a utopia comunista que falhou a todos os níveis) mas que a riqueza está ao serviço de todos e não apenas de alguns. Um empresário que coloca os seus bens, o seu dinheiro ao serviço de todos promovendo o trabalho com salários justos está a desenvolver e o contribuir para o bem comum. Parafraseando um provérbio chinês – não dês peixe mas ensina a pescar – é talvez o que é mais necessário e mais difícil na nossa sociedade. Palavra de Deus “O sogro de Moisés disse-lhe: «Não está bem aquilo que estás a fazer. Com certeza desfalecerás, tu e este povo que está contigo, porque a tarefa é demasiado pesada para ti; não poderás realizá-la sozinho. Agora, escuta a minha voz; vou dar-te um conselho, e que Deus esteja contigo! Tu estarás em nome do povo em frente de Deus, e tu próprio levarás as causas a Deus. Adverti-los-ás dos preceitos e das instruções e dar-lhes-ás a conhecer o caminho que devem seguir e as obras que devem praticar. Escolhe tu mesmo entre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, homens íntegros, que odeiem o lucro ilícito, e estabelecê-los-ás como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez. Eles julgarão o povo em todo o tempo. Toda a questão que seja grande, eles a apresentarão a ti, mas toda a questão menor, julgá-la-ão eles mesmos. Torna assim mais leve a tua carga, e que eles a levem contigo. Se fizeres desta maneira, e se Deus to ordenar, tu poderás permanecer de pé, e também todo este povo entrará em paz nas suas casas.» Moisés escutou a voz do seu sogro e fez tudo o que ele disse. Moisés escolheu de todo o Israel homens capazes e colocou-os à cabeça do povo, como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez. Eles julgavam o povo em todo o tempo: as questões difíceis levavam-nas a Moisés, mas todas as questões menores julgavam-nas eles mesmos” [Ex 18,17-26]. “Ao regressarem, os Apóstolos contaram-lhe tudo o que tinham feito. Tomando-os consigo, Jesus retirou-se para um lugar afastado, na direcção de uma cidade chamada Betsaida. Mas as multidões, que tal souberam, seguiram-no. Jesus acolheu-as e pôs-se a falar-lhes do Reino de Deus, curando os que necessitavam. Ora, o dia começava a declinar. Os Doze aproximaram-se e disseram-lhe: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar, pois aqui estamos num lugar deserto.» Disse-lhes Ele: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Retorquiram: «Só temos cinco pães e dois peixes; a não ser que vamos nós mesmos comprar comida para todo este povo!» *Eram cerca de cinco mil homens. Jesus disse aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta.» Assim procederam e mandaram-nos sentar a todos. Tomando, então, os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os aos discípulos, para que os distribuíssem à multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e, do que lhes tinha sobrado, ainda recolheram doze cestos cheios” [Lc 9,10-17]. Pistas de interpretação Texto 1: o sogro de Moisés (Jetro) sugere a descentralização e a partilha do poder: prepara-se uma relação social baseada na liberdade, na vida e na dignidade de todos diante de todos e de Deus. O Antigo Testamento preconiza uma sociedade igualitária onde a única autoridade é a Deus que liberta para a vida. Texto 2: os apóstolos que são o início de uma nova comunidade têm como missão perceber e socorrer o povo que passa fome e de sugerir com o exemplo a parilha de bens. Deus do pouco faz muito. O pão da Eucaristia sendo pouco torna-se muito (pleno) pela presença real de Jesus Cristo. A Eucaristia é dom de Deus para a humanidade. Questões: Estas pistas de uma nova sociedade fazem sentido? Já fizeste alguma coisa para construir uma nova sociedade? Conheces algum grupo ou movimento que esteja empenhado em construir uma nova sociedade? Apresenta as tuas ideias sobre a (nova) sociedade (mínimo 20 linhas). Próximo encontro no dia 12 Dezembro às 21h;
[Texto realizado para o encontro de formação para a Celebração do Sacramento da Confirmação - Melgaço]

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

I(e)srael e Jordania

Duas imagens (Petra - uma das 7 maravilhas do mundo - e o Muro das Lamentações; dois paíes (Israel e Jordania); duas religiões (judaica e muçulmana);
Um padre católico usdando símbolos religiosos e etnográficos em sinal de respeito. Culturas tão diferentes e tão próximas.
Os sete dias em Israel e na Jordania foram cheios de emoções, de cheiros, de cores, de sabores ... outro dia voltaremos a falar sobre isto.

domingo, 15 de novembro de 2009

São Martinho

É tempo da castanha
A alegria do povo
Que rega e acompanha
Com vinho novo
Nos últimos dias, a castanha tem sido raínha nos magustos de São Martinho. A chuva e o vento que este fim de semana nos visitaram relembram o acto maios conheciso e simbólico de Martinho - a dádiva de metade da sua capa a um pobre mendigo num dia de chuva (que ele identificou com Cristo). São Martinho é para nós sinal e exemplo do dar-se, da caridade que nasce do amor a Cristo. Que por entre as castanhas e o vinho novo nos fique esta mensagem!