Hoje confirmei a minha firme decisão de que com gelo ou neve não conduzo. Porque não é necessário limpar as valetas para que a água corra nelas andei a fazer patinagem artística de carro; porque Alguém de cima pegou no carro não caí pelo monte abaixo (de carro) sim porque caí várias vezes mal coloquei os pés no chão. Aventuras com final feliz!
Este blog narra as experiências, os desabafos, os gostos, as tristezas e as esperanças de um jovem padre (católico) ao serviço de Deus e do Seu povo.
domingo, 10 de janeiro de 2010
O frio, o gelo, a neve ...
VII - Do Deus libertador ao Deus da Aliança
No último encontro partimos ao encontro da Bíblia – Palavra de Deus. Vimos, essencialmente, o enquadramento histórico dos diferentes livros da Bíblia; tecemos algumas considerações sobre o livro do Génesis e sobre a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja e de cada crente.
A história da salvação começa com a vocação de Abraão e continua com a renovação da promessa aos seus descendentes Isaac e Jacob (são conhecidos como os patriarcas – pais na fé). No entanto, a centralidade da fé do Povo de Israel reside no acontecimento do Êxodo (saída da escravidão do Egipto para a terra da liberdade). Moisés torna-se na figura mais representativa do Antigo Testamento – falava face a face com Deus.
Deus Libertou o seu povo
O Povo de Israel passou a ler a sua história e sua vida à luz do acontecimento libertador do Êxodo.
Dos descendentes de Isaac e de Jacob vários emigraram para o Egipto e pequena quantidade e foram recebidos pelos egípcios. Mas em pouco tempo tornaram-se numa grande multidão devida à elevada taxa de natalidade. O faraó assustou-se e para os controlar submeteu-os a trabalhos forçados mas como continuavam a nascer muitas crianças ordenou que todo o menino israelita que nascesse fosse lançado ao rio.
Moisés
É nesta situação que nasce Moisés e a mãe para o salvar coloca-o numa cesta calafetada junto ao rio. A filha do faraó veio ao rio, viu o bebé a chorar e resolveu adoptá-lo dando-lhe como nome Moisés que significa: salvo das águas. Foi levado para o palácio e educado na sabedoria e na cultura dos egípcios – tornou-se uma pessoa importante.
Descobriu que era israelita e foi visitá-los. Não podia suportar a injustiça de que eram vitimas e procurou que se unissem para se libertar da injustiça; encontrou resistência por parte deles e chegado aquele ponto do caminho só lhe restava a fuga pois se o faraó soubesse dos seus intentos estava desgraçado.
Fugiu e foi viver como estrangeiro na terra de Madian. Casou, formou família e era pastor. Andava a pastorear o rebanho no Monte Horeb quando lhe apareceu Deus numa sarça-ardente. Deus Chama por Moisés e apresenta-se como o Deus de seus pais: Abraão, Isaac e Jocob e dá-lhe uma missão – libertar do sofrimento do Egipto o Povo de Israel. Moisés tinha ainda presente a experiência do fracasso da primeira tentativa, conhecia o poderio dos egípcios no entanto parte com confiança porque a obra não é dele mas de Deus. Perante Deus e perante a missão que Deus lhe confia mais se sente pequeno e incapaz.
Moisés parte para o Egipto fala com o faraó e Deus intervém através de sinais (as pragas do Egipto) e povo confia em Moisés. O faraó cede e os israelitas partem, na noite da partida celebraram a Páscoa à pressa e comeram cordeiro e ervas amargas. Partiram de madrugada mas o faraó manda o exército no seu encalce. Os obstáculos são muitos mas Deus intervém de forma prodigiosa e povo consegue partir e entrar no deserto.
Deserto
Após a libertação o povo caminha pelo deserto até ao Monte Sinai. Depois de atravessar a Mar Vermelho abre-se diante do povo o deserto desolador.
O deserto é o lugar da provação, da dificuldade e da purificação. Os israelitas sofreram muitas provações: a sede, a fome, entre outras. Nestas situações o povo revolta-se contra Moisés e chega até a desejar a comida da escravidão – onde havia cebola e carne.
O deserto proporciona a mudança de mentalidade; proporciona a descoberta de que a liberdade é dom de Deus mas também tarefa nossa; proporciona a confiança em Deus.
Aliança
Depois de três meses de provação no deserto o povo chega ao Monte Sinai. Nesse lugar dá-se o acontecimento determinante de toda a história do Povo de Israel – Deus faz com o povo uma aliança. Deus compromete-se a assistir o povo e o povo compromete-se a ser fiel a Deus. Deus torna-se protector de Israel e este em sua propriedade. Esta pertença a Deus tinha que se traduzir no comportamento do povo - em nome de Deus Moisés entrega ao povo os Mandamentos da Lei de Deus que apontam o caminho de fidelidade à aliança.
Palavra de Deus
Livro do Êxodo
Pistas de análise
Reflectir sobre o livro do Êxodo pode levar-nos a acolher como dom a liberdade; pode ajudar-nos a empreender um esforço de libertação e a celebrar a presença de Deus que liberta de tantas escravidões em que vivemos. Moisés vivia em solidariedade com o povo e em intimidade com Deus. Deus quer pessoas dignas e libertas. A fé liberta e promove valores humanos – solidariedade, coragem, fidelidade.
A aliança mostra-nos o rosto autêntico de Deus – próximo, solidário, comunhão. Jesus encarna, sintetiza e congrega em Si o Deus libertador e o Deus da aliança.
Questões
Como pode a fé ser caminho de libertação? O povo via a presença de Deus continuamente – porque será que hoje as pessoas não vêem ou não sentem a presença de Deus? Procura responder tendo em conta a ideia de deserto (mínimo 30 linhas).
Próximo encontro no dia 23 de Janeiro de 2010
[Texto realizado para encontro de preparação para a Celebração do Sacramento da Confirmação - Melgaço]
sábado, 2 de janeiro de 2010
Initius
Um ano começou.
Uma vida surgiu.
"Feliz e próspero ano novo!"
"Que criança tão bonita!"
Uma alegria incontida
Abraça o Universo
da mãe, do pai, no filho
A esperança do que vão viver;
O brilho do que pode acontecer;
O sonho, caminho da imaginação
A esperança do que pode ser
Uma vida de feição
Para uma criança a nascer
Terminus
Um ano terminou.
Uma vida acabou.
"Que não venha outro pior!"
"Era tão boa pessoa!"
[O velório tudo encobria]
As lágrimas pelo que acabou;
Os risos (contidos) pelo que começou;
No fundo ...
Todos choravam sem saber!
A doença prolongada sem aceitação
Faz de nós moribundos sem saber
O cansaço da dor e da medicação
Arrastam-nos até morrer.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Terminar ou começar?
Está quase a terminar um ano ou está quase a começar outro? Pela resposta que cada um der pode-se ver como correu o presente ano! Para uns importa que termine este; para outros importa que comece outro.
Para mim o importante não está de um lado ou do outro da barricada. O importante está na avaliação do passado e na projecção do futuro. Mas pouco se avalia e pouco se projecta; parece que tudo é um navegar com terra à vista ou em águas pouco profundas!
Quando se avalia é o que se fez e nunca o que não se fez ou o que se poderia ter feito. Isto é o resultado da ausência de projecto e de objectivos; é o resultado da ausência de comprisso e de nos inscrevermos naquilo que fazemos.
Que estes últimos dias do ano nos ajudem a pensar, a avaliar e a projectar!
domingo, 20 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Copenhaga e o clima
Nos últimos dias tudo gira à volta do clima e à falta de clima favorável na Cimeira de Copenhaga. As politicas e os políticos raramente se entendem quando implica conjugar esforços para bem de todos e não apenas de alguns.
A crise ecológica ou as alterações climáticas são o fruto mais evidente da sociedade de consumo que tudo relativiza. Sem fundamentos e sem identidade esta sociedade caminha para o abismo - as alterações climáticas (entre outras). E quem se importa com isso? Muito poucos! 'Se o meu umbigo não tem problemas posso dormir descansado'!
O Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, incentiva a preservar a criação para construir a paz. Preservar a criação é "hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade" (nº 1).
O Papa fala da necessidade de criar um modelo de desenvolvimento para a humanidade fundado precisamente "na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum" (nº 9). Compreender e acolher o ser humano como criatura de Deus e o mundo como obra criadora de Deus é o caminho para a salvaguarda e o respeito por ambos, criando "uma visão igualitarista da 'dignidade' de todos os seres vivos" (nº 13). A ausência desta perspectiva leva ao 'safe-se quem poder' e ao relativismo.
"A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum" (nº 10).
A ausência de Deus leva à ausência de sentido; deixemos que Deus entre nas nossas vidas!
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